O Ministério Público do Rio Grande do Norte abriu um novo foco de desgaste para a gestão do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, após expedir recomendação cobrando providências urgentes para recuperação das vias do bairro Alto do Sumaré.
A medida integra o Inquérito Civil conduzido pela 2ª Promotoria de Justiça de Mossoró, sob responsabilidade da promotora Ana Araújo Ximenes. Segundo o procedimento, moradores denunciam que, desde 2021, ruas do bairro enfrentam buracos, erosões, lama e dificuldades de acesso às residências.
Durante a investigação, a própria Secretaria Municipal de Infraestrutura confirmou a existência de graves problemas, especialmente na Rua Enéas da Silva Negreiros. O parecer técnico anexado ao inquérito reconhece que operações paliativas não resolvem mais a situação e admite a necessidade de reconstrução completa da pavimentação.
O caso ganha repercussão diante dos altos investimentos anunciados pela Prefeitura de Mossoró em obras de pavimentação durante a gestão Allyson Bezerra. Segundo dados do Portal da Transparência, os gastos ultrapassam R$ 151 milhões em cinco anos, o que amplia os questionamentos sobre a permanência de ruas em situação crítica em bairros periféricos da cidade.
A situação também expõe divergências entre discursos públicos e números oficiais. Em 2022, Allyson afirmou que os investimentos em pavimentação chegariam a cerca de R$ 47 milhões naquele ano, citando o Sumaré entre os bairros contemplados. No entanto, dados oficiais apontam despesas liquidadas em torno de R$ 23,6 milhões.
O desgaste político ocorre justamente no momento em que Allyson percorre o Rio Grande do Norte como pré-candidato ao Governo do Estado, criticando a precariedade das estradas estaduais e prometendo reconstrução de rodovias pelo RN. A fala contrasta com a realidade apontada pelo Ministério Público em Mossoró, onde moradores denunciam anos convivendo com ruas praticamente intrafegáveis.
No documento, o Ministério Público fundamenta sua atuação no dever constitucional do poder público de garantir infraestrutura urbana adequada e cita entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a falta de recursos não pode justificar omissão prolongada diante da violação de direitos fundamentais.
Por Por Jairton Medeiros, Diário do RN
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