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ESTRATÉGIA DO MDB/RN: CANDIDATOS "BUCHA DE CANHÃO" SERVEM PARA ELEGER WALTER ALVES


Nas eleições proporcionais para a Assembleia Legislativa (ALRN), os eleitores estão sendo induzidos ao erro por uma verdadeira ilusão matemática nas urnas. Movidos pelo sentimento de apoiar o “candidato da terra”, milhares de cidadãos votam em nomes de suas regiões acreditando que estão elegendo um representante local. No entanto, o que a população em geral não compreende é o funcionamento do quociente eleitoral, um mecanismo que, na prática, faz com que o voto dado a candidatos que não terão votações expressivas sirva, na verdade, para eleger o dono da legenda em Natal.

Esse cenário se aplica perfeitamente à estratégia montada pelo MDB para o pleito. Sem deputados de mandato na chapa, o partido escalou nomes com atuação regional — como Ivan Júnior, Josivan Bibiano e Hordelin Silva — para percorrer as bases e buscar votos no corpo a corpo. O eleitor é atraído pelo discurso da representatividade local, mas a realidade é que esses candidatos atuarão estritamente como “bucha de canhão”. 

A soma de todas essas votações menores é sugada para o caixa central do partido com um objetivo muito claro: atingir a régua alta de 80 mil votos necessária para garantir a vaga do vice-governador Walter Alves.

A manipulação invisível do sistema

Essa dinâmica acaba gerando uma clara manipulação do eleitorado após a abertura das urnas. Afinal, o cidadão digita o número do candidato da sua cidade, mas o resultado final transfere essa força política para consolidar o mandato da liderança principal da sigla. É o uso de mais de 20 candidaturas sem expressão massiva para servirem de escada para a sobrevivência política de apenas um.

Para que essa engrenagem não termine em cadeira única e o MDB consiga, por uma soma de fatores, puxar uma segunda vaga nas sobras (abrindo disputa entre Ivan Júnior e Bibiano), Walter Alves precisará registrar uma votação estrondosa de, no mínimo, 60 mil votos individuais. Se esse teto avassalador não for alcançado pelo líder, o eleitor do interior verá o seu candidato local ficar de fora, confirmando a dura realidade do sistema: no MDB, quem vota no candidato da terra, é induzido ao erro.


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