Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) colocou sob suspeita repasses de R$ 27,2 milhões feitos pelo Banco Master ao site de notícias Metrópoles entre 2024 e 2025.
Conforme divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o documento aponta indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo transferências imediatas dos valores para empresas vinculadas ao empresário Luiz Estevão.
Segundo o Coaf, os recursos enviados pelo banco foram, em parte, rapidamente direcionados a outras companhias do mesmo grupo familiar, como Madison Gerenciamento S/A, Sense Construções e Participações S/A e Macondo Construções e Participações S/A. O órgão avalia que esse padrão “pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros”, o que acendeu alertas no sistema de monitoramento financeiro.
As comunicações foram feitas pela Caixa Econômica Federal, que também identificou incompatibilidade entre o volume movimentado e o faturamento médio mensal da empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA. O relatório ainda classifica os aportes do Banco Master como “inusitados”, destacando operações com crédito seguido de débito imediato, prática frequentemente associada a tentativas de dispersão de recursos.
Entre o período analisado, o banco aparece como principal fonte de receita do veículo em 2025, com transferências que chegaram a R$ 5,7 milhões em operações isoladas. Apesar de os repasses terem começado em janeiro daquele ano, a justificativa apresentada por Estevão é de que os valores se referem ao patrocínio do Will Bank para a transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro.
A competição teve início em 19 de abril de 2025, mas a exibição da marca do patrocinador nas transmissões e nos estádios só começou meses depois. O acordo para transmissão dos jogos foi anunciado apenas em julho, e a presença da marca nas placas de publicidade ocorreu a partir da 14ª rodada, no fim daquele mês, mais de três meses após o início do torneio e cerca de seis meses depois dos primeiros repasses financeiros.
Além do patrocínio, houve negociação de naming rights, que rebatizou a competição como “Brasileirão Série D Will Bank”. Foi a primeira vez que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) comercializou esse tipo de direito para o torneio.
Ao Estado de S. Paulo, Luiz Estevão defendeu a legalidade das operações e afirmou que os valores recebidos são compatíveis com o mercado. Segundo ele, os montantes poderiam ter sido ainda maiores, não fosse a interrupção dos pagamentos após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. "O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser", declarou.
Correio Brasiliense
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