Perder um membro do corpo por causa de uma doença que pode ser controlada. Essa foi a realidade de mais de 2,5 mil potiguares que sofreram amputações nos últimos três anos por complicações do diabetes, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia do RN.
No Dia Mundial do Diabetes, lembrado nesta sexta-feira, especialistas reforçam: o diagnóstico precoce salva vidas. Em Natal, quase 12% dos adultos têm diabetes — a maior taxa do Nordeste.
A endocrinologista Anna Karina Medeiros explica que a glicose alta age como um veneno e provoca danos sérios ao longo dos anos. As amputações registradas no estado — mais de 2.500 — são consequência de até 20 anos de descontrole e falta de acompanhamento adequado.
O problema também está no sistema público: a fila para procedimentos que poderiam evitar amputações chega a dez anos. E, em casos graves, quando há infecção e necrose, a amputação é a única saída para evitar a morte.
O diabetes tipo 2, que responde por 90% dos casos, está ligado ao excesso de peso e ao sedentarismo. Em 2024, mais de 74% dos adultos do RN estavam acima do peso.
O diagnóstico é simples, feito com exame de glicose em jejum, disponível no SUS. O tratamento também está na rede pública, mas a médica alerta: nem todos os medicamentos são ideais, como a glibenclamida, que pode causar hipoglicemia.
A recomendação é procurar a Unidade Básica de Saúde para iniciar o acompanhamento, controlar glicose, pressão e colesterol, e prevenir complicações como infarto e AVC.
E neste sábado, dia 15, a população da Zona Norte de Natal poderá participar de uma ação gratuita de prevenção ao diabetes, no Partage Norte Shopping, das duas e meia às cinco e meia da tarde. Haverá orientação com especialistas, aferição de glicemia, avaliação dos olhos e orientações sobre alimentação e atividade física.
O recado é claro: diabetes não tem cura, mas tem controle — e cuidar cedo evita consequências graves.
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