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Abraão Lincoln, recordista em tentativa de incluir mais de 40 mil pessoas mortas nos descontos associativos


O potiguar Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, 64 anos, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), permaneceu em silêncio durante seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, nesta segunda-feira (3), diante de perguntas diretas sobre o suposto esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.

O relator da comissão, senador Alfredo Gaspar (União Brasil), questionou o presidente da CBPA sobre a tentativa de incluir mais de 40 mil pessoas mortas nos descontos associativos e sobre a responsabilidade pela operação desses cadastros, conforme aponta o levantamento realizado pela Controladoria Geral da União.

Gaspar perguntou ainda se Abraão Lincoln era presidente da CBPA em 2023 e 2024, e quem (ele ou outro emissário) tinha poderes para autorizar os cadastros irregulares. O dirigente se limitou a permanecer em silêncio.

Outros questionamentos incluíram a escalada de cadastros ativos: de quatro tentativas em maio de 2023 para 64 mil em junho, alcançando 196.852 em julho de 2023, e somando 757 mil cadastros em dois anos, correspondentes a mais de R$ 221 milhões em descontos. Perguntado sobre o alto número de rejeições e reclamações junto ao INSS, Abraão Lincoln manteve a mesma postura.

Segundo o senador Izalci Lucas (PL-DF), a CBPA é “um dos eixos centrais da arquitetura criminosa desvelada pela Operação Sem Desconto e responsável por um impacto financeiro estimado em R$ 221,8 milhões subtraídos de forma contumaz e sistêmica dos benefícios de aposentados e pensionistas”.

O relatório da Controladoria Geral da União (CGU) reforça a disparidade entre a estrutura física da CBPA e sua atuação: a entidade funciona em uma pequena sala comercial em Brasília, sem capacidade operacional para atender 360.632 aposentados e pensionistas distribuídos em 3.677 municípios, o que sugere fragilidade administrativa e risco de irregularidades.

A CPMI já aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Abraão Lincoln e solicitou ao Coaf o envio do Relatório de Inteligência Financeira (RIF). A comissão aponta que o presidente da CBPA e a entidade seriam peças centrais no esquema de desvios no INSS, configurando um caso de grande impacto financeiro sobre benefícios previdenciários.

98FM

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